Neste post, explico de forma objetiva por que a ESD é considerada o padrão-ouro em situações selecionadas e quais são seus principais benefícios.
A Ressecção Endoscópica da Submucosa (ESD) representa um dos maiores avanços da endoscopia terapêutica moderna. Desenvolvida inicialmente no Japão, a técnica ampliou de forma significativa a capacidade de tratamento minimamente invasivo das neoplasias gastrointestinais superficiais, oferecendo taxas elevadas de cura oncológica com preservação do órgão.
O QUE É A ESD?
A ESD é uma técnica endoscópica avançada que permite a remoção completa (em bloco) de tumores superficiais do trato gastrointestinal, independentemente do tamanho, desde que restritas as primeiras camadas da parede do intestino ou do estômago (mucosa ou à submucosa superficial).
A ESD não depende do tamanho da lesão, pois a dissecção é feita diretamente, plano por plano submucoso, de forma cuidadosa e precisa.
A ESD permite a retirada da lesão inteira, em um único fragmento, mesmo quando extensa.
✔️ Maior precisão diagnóstica
✔️ Avaliação histopatológica confiável
✔️ Redução significativa de ressecções incompletas
Somente com a remoção em fragmento único é possível ter certeza absoluta que a lesão foi removida por completo.
Ao possibilitar que toda as margens removidas estejam livres de tumor, a ESD oferece altas taxas de cura definitiva, especialmente em:
Câncer gástrico precoce
Neoplasias colorretais superficiais
Neoplasias escamosas ou glandulares iniciais do esôfago
Em casos bem selecionados, a ESD substitui a cirurgia, com resultados oncológicos equivalentes
Diferente da cirurgia, a ESD:
✔️ Mantém a anatomia original
✔️ Preserva função gastrointestinal
✔️ Evita ostomias (ex: colostomia) e grandes ressecções
Isso se traduz em melhor qualidade de vida no curto e no longo prazo.
Apesar de ser um procedimento tecnicamente complexo, a ESD é menos invasiva que a abordagem cirúrgica.
📉 Menor dor pós-procedimento
📉 Menor risco de complicações sistêmicas
📉 Menor tempo de internação e recuperação (retorno mais rápida as atividades habituais)
Quando realizada por endoscopista experiente, apresenta perfil de segurança bastante favorável.
Pacientes idosos ou com múltiplas comorbidades muitas vezes não são bons candidatos à cirurgia.
A ESD surge como alternativa, permitindo tratamento definitivo mesmo em cenários clínicos complexos.
A ressecção fragmentada (piecemeal), comum nos tipos convencionais de tratamento dos pólipos gastrointestinais, está associada a maior risco de recidiva (retorno da lesão). A ESD tem:
✔️ Menor taxa de recorrência
✔️ Seguimento endoscópico mais simples
✔️ Menor necessidade de retratamentos
Dissecção cuidadosa no plano submucoso, permitindo ressecção completa (en bloc) de lesões superficiais extensas, com preservação do órgão.
A ESD possibilita tratamento curativo de neoplasias gastrointestinais iniciais, com controle preciso das margens e menor risco de recorrência local.
Mentoria especializada em ESD realizada pelo Dr. Fernando Lander no Curso Continuado de Dissecção Submucosa da Faculdade Sírio-Libanês.
Não. A ESD exige uma indicação precisa, baseada em critérios que somente um endoscopista experiente pode avaliar (ex: formato da lesão, características endoscópicas e resultado de biópsias, quando indicado).
O treinamento do profissional é especializado. A ESD não faz parte da formação habitual do médico endoscopista, sendo geralmente realizada por profissionais que realizaram treinamento especializado nesta técnica (frequentemente em serviços internacionais).
A estrutura do serviço de endoscopia também deve ser adequada (nível hospitalar), pois se trata de um procedimento complexo.
Quando bem indicada, seus benefícios superam claramente os riscos.
A Ressecção Endoscópica da Submucosa (ESD) consolidou-se como uma técnica curativa, minimamente invasiva e preservadora de órgão para o tratamento das neoplasias gastrointestinais superficiais. O sucesso da ESD depende de diagnóstico endoscópico preciso, indicação correta e execução técnica adequada. Em centros especializados, ela representa o que há de mais avançado na endoscopia terapêutica atual.
Se você quer entender melhor quando indicar, como selecionar lesões ou como funciona o procedimento na prática, continue acompanhando o EndoBlog.